Vídeo aulas veterinárias

RSS

e-Books veterinários

Abril Verde: Como prevenir acidentes de trabalho?
Juan Blancas
/ Categorias: Ferox

Abril Verde: Como prevenir acidentes de trabalho?

Entenda melhor esse movimento que trata de questões de segurança e saúde no trabalho e saiba quais os principais riscos da Medicina Veterinária

O mês de Abril foi o escolhido para ‘’abrigar’’ um movimento que tem como intuito trazer à sociedade a questão da segurança e saúde do trabalhador brasileiro. Essa mobilização é conhecida como Abril Verde e tem o objetivo de reduzir os acidentes de trabalho e os agravos à saúde do trabalhador. Além disso, busca envolver a sociedade, os órgãos de governos, empresas, entidades de classe, associações e federações para prevenir e alertar sobre os problemas que ocorrem no dia a dia do empregado.

O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) apoia o movimento e defende que “essa iniciativa é fazer mais por um trabalho saudável e sem acidentes. Somente com o envolvimento, com a troca de informações, é que se pode favorecer uma cultura de prevenção à vida e à saúde no ambiente de trabalho. ”

De acordo com o ranking de periculosidade ocupacional elaborado pela Business Insider, com base no Occupational Information Network (banco de dados oficial de profissões dos Estados Unidos), a Medicina Veterinária aparece como a quarta atividade de maior risco. O mesmo estudo aponta ainda os três principais agravantes dessa profissão: exposição a doenças/infecções, risco de ferimentos e exposição a contaminação.

No Brasil não há dados disponíveis e confiáveis para mensurar quais os principais acidentes acometidos aos médicos veterinários nos últimos anos. Mas é possível saber que, por exemplo, no estado de São Paulo, entre 2006 e 2016, foram notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) 63 acidentes graves, dos quais 47 ocorridos com médicos veterinários, 6 com zootecnistas e 10 com pessoas que desempenham funções relacionadas à Medicina Veterinária.

Os acidentes de trabalho (típicos, de trajeto e doenças do trabalho) comunicados à Previdência Social também são subnotificados. De acordo com o Anuário Estatístico de Acidente de Trabalho (AEAT), no período de 2012 a 2014, foram comunicados 122 acidentes típicos, 41 de trajeto e 1 doença relacionada a atividades veterinárias.

Um estudo australiano de 2005, referido em artigo realizado no Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa em 2014, menciona que 66% dos acidentes ocorridos em atividades veterinárias são devidos a trauma direto com animais. Este risco é ainda 10 vezes maior quando se trata de animais de grande porte. Neste artigo também são consideradas as mordeduras e arranhões, que podem ser graves em alguns casos, além dos acidentes com materiais perfurocortantes.

Em relação aos médicos veterinários que trabalham com eutanásia, abates ou situações sob estresse, as pesquisas indicam que podem ser desenvolvidos transtornos mentais, já que os profissionais têm que lidar com a vida e a morte diariamente. Essas desordens podem ser doenças somáticas ou psíquicas, como a síndrome depressiva, a síndrome de Burnout, entre outras.

Para o médico do trabalho da Divisão Técnica de Vigilância Sanitária do Trabalho (SES/SP), Marcelo Pustiglione e para a professora titular da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), Silvana Tognini, a melhor maneira do veterinário prevenir acidentes de trabalho é por meio de medidas específicas de proteção e de educação permanente. De acordo com eles, é necessário a implementação de programas de segurança para cada área de atuação, além de um olhar prevencionista na formação acadêmica dos profissionais.

Um bom começo para a precaução de problemas devido ao trabalho, é a conscientização do próprio profissional à inclusão de medidas de proteção e prevenção em seu comportamento e atos no cotidiano. “Empregadores e gestores também não devem poupar esforços e nem regular recursos para oferecer ambientes, postos e processos de trabalho seguros e saudáveis. É fundamental a participação de especialistas em segurança e saúde no trabalho para a elaboração e implementação dos programas necessários”, finalizam Silvana Tognini e Marcelo Pustiglione.

Fonte: CFMV, adaptado pela equipe Ferox.

 

Print
4994 Rate this article:
Sem nota

Please login or register to post comments.

x